O kief vinha de Marrocos, ali bem perto, e era distribuído quer pelos pescadores quer pelos magalas do quartel da cidade. Barato e de boa qualidade. Já tinha fumado algumas vezes em Lisboa mas apenas algumas passas de charros divididos entre muitos. Ali era diferente. O preço e a abundância permitiam que cada um fumasse o que quisesse. E fumaram. Muito. Sentindo-se bem lá no alto, seguiram para o “Convívio”, bar onde cumpriam o ritual nocturno de despejar litros de cerveja, conversar e namorar ao som da boa música escolhida pelo Jorge, o disc-jockey de serviço. Não chegou a beber meia girafa. Levantou-se e dirigiu-se apressado para a casa de banho com a sensação de estar dentro dum carrossel descontrolado. Completamente agoniado. Abriu a porta, entrou.
Deve ter sido do cheiro – dizia uma voz indignada, a primeira que ouviu quando acordou – esta casa de banho tem um cheiro horrível.
DesatinosMarch 20, 2006 11:11 am
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